sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Marebito - Seres Estranhos

Salve, jovens amigos!

Vamos ao filme indicado para este final de semana?


Marebito - Seres Estranhos, (Marebito - No original), é um filme de terror/horror japonês, nos primórdios do estilo found footage, misturando filmagens estáticas e filmagens em movimento, todas com uma aparência relativamente amadoras, e dirigido por Takachi Shimizu, o mesmo diretor de o Grito e o Grito 2.



A história parece simples a princípio: o vídeo-repórter Masuoka, passa os dias filmando tudo aquilo que vê e que o cerca, em busca da única coisa que se julga incapaz de sentir, medo.

Num dia, no metro de Tóquio, Masuoka filma aquilo que pareceu ser um suicídio sem sentido, onde um homem, que de tão aterrorizado com algo que viu, estava alheio a polícia e as pessoas a sua volta; decidido a não mais "ver" aquilo que o havia impressionado tanto, enfia um lápis em seu olho direito, tão fundo que acaba causando sua própria morte.



Capa do DVD americano.

A história parece simples a princípio: o vídeo-repórter Masuoka, passa os dias filmando tudo aquilo que vê e que o cerca, em busca da única coisa que se julga incapaz de sentir: medo.

Num dia, no metro de Tóquio, Masuoka filma aquilo que pareceu ser um suicídio sem sentido, onde um homem, que de tão aterrorizado com algo que viu, estava alheio a polícia e as pessoas a sua volta; decidido a não mais "ver" aquilo que o havia impressionado tanto, enfia uma faca em seu olho direito, tão fundo que acaba causando sua própria morte.

O que ele teria visto que lhe causou tamanho horror?

Masuoka, impressionado com o final trágico do homem balbuciante e desconcertado, resolve então investigar o que havia causado tamanho terror no suicida, e começa a se esgueirar pelo metro de Tóquio, pelos cantos escuros e desertos, evitados pelos funcionários. Num momento de distração, ouve um som misterioso, e resolve seguir para descobrir do que se tratava.

Em sua perseguição pela origem dos sons, começa a dissertar sobre o medo, sobre a vida, a sensação de solidão e melancolia que afetou várias autores, inclusive citando Lovecraft e alguns outros, que escreveram sobre o medo e o terror que ia além de qualquer vestígio de compreensão humana. Sempre em frente e para baixo, Masuoka cada vez mais se afunda dentro da Terra, em sua busca pela origem sons, até que chega subitamente, num complexo de túneis, anteriores a construção do metrô, e misteriosamente iluminados com uma luz fraca e dispersa.

Nestes túneis, depois de muito andar e refletir, Masuoka encontra com o suicida do metro, que começa a conversar com ele normalmente, como se nada houvesse acontecido (o detalhe nesta cena, é que o suicida é apresentado carregando uma lanterna, que no folclore japonês, é associada a morte e aos espíritos que vagam pela terra), onde o "morto" avisa sobre os Robos Opressores, criaturas que vagavam pelos túneis em busca dos perdidos, onde Masuoka comenta que o homem havia se matado, pouco tempo antes. Neste momento, o suicida fala que se estava realmente morto, não deveria então conversar com Masuoka, e apaga a sua laterna, deixando somente o silêncio sepulcral e uma escuridão sem limites.



Depois de um tempo indefinível, Masuoka acorda, e percebe uma fonte de luz no final do túnel (!) e resolve ir em direção a ela. Nisto, quando Masuoka dá por si, percebe estar dentro de um mundo completamente estranho e novo, iluminado, como se estivesse no topo de uma montanha.

Porém, tudo leva a crer que Masuoka estava em uma caverna. Neste momento, o vídeo-repórter diz que se encontra nas "Montanhas da Loucura", de HP Lovecraft, e resolver investigar e filmar tudo, e sai "desbravando o lugar".

Num dado momento, Masuoka encontra o que parecer ser o corpo de uma garota, acorrentado numa reentrância na parede de um corredor. Ao examiná-la, descobre que ela está viva, e neste momento, toma a decisão de salvá-la da morte certa, que seria ficar acorrentada naquela perdição. A toma em seus braços e a leva para sua casa.

É neste momento, que as coisa começam a ficar sinistras!!!

"Você está com fome?"



Ligações anônimas em tom de ameaça, estranhos vultos, mortes, loucura e violência, sombras, silêncio e outras coisas começam a assombrar Masuoka, que se vê preso numa espiral descendente de loucura, paranoia e masoquismo, até o final, grotesco e inesperado!


Minha opinião


Marebito é um filme complexo, profundo, cheio de reflexões sobre a vida, a morte, o medo e o desconhecido. Chocante em alguns trechos, com poucas cenas de assassinato brutais e premeditadas, o filme conseguiu aquilo que muitos outros tentaram em vão: provocar o horror e o medo do desconhecido e do conhecido.

Durante a maior parte do filme, o ritmo é lento e compassado, nos deixando ora inquietos, ora incomodados com a vagarosidade com que as situações se desenvolvem, mas isto é planejado desde o começo. Esse ritmo é proposital, nos acostuma com o comum e ordinário, com a rotina da cidade grande, com suas pessoas indiferentes e ignorantes, para então, de forma brusca e violenta, nos chocar, nos causar repulsa e asco, para então voltar a mesmice do dia-a-dia.

F em seus melhores momentos


O filme nos convida em vários momentos, a olhar a nossa volta e questionar se estamos sozinhos neste mundo, do qual conhecemos tão pouco; nos chama sutilmente, de forma lenta e crescente, a mergulhar no horror que se esconde em cada esquina. Nos mostra que o horror psicológico pode ser muito mais intenso do que o medo do desconhecido, e mesmo o desconhecido, pode nos ser estranhamente familiar, enquanto nos seduz a adentrá-lo, para então, nos devorar rápida e violenta!

Apesar de ser dirigido por Takachi Shimizu, o mesmo diretor de o Grito e o Grito 2, não espere um filme agitado, cheio de efeitos especiais mirabolantes, e sustos constantes; ao invés disso, o diretor nos surpreende com um filme mais compassado e contido, planejado para nos prender aos poucos.

Excelente filme, recomendo a todos que queira assistir a algo diferente dos blockbusters americanos, porém, tão bom quanto.


Vamos ficando por aqui, bom filme para vocês e até a semana que vem.